Caia a chuva. A tua mão na minha, o meu coração agitado, o meu olhar perdido no verde mar dos teus olhos. Caia a chuva e eu te amei. Meus lábios tímidos presentindo os teus, teu suor escorrendo pelo meu rosto -suave mistura, água, suor, lágrimas, paixão. Caia a chuva. Os raios iluminaram a tua branca pele na madrugada, tuas pernas entre as minhas, teu teus seios sobre os meus, teu cabelo enxugando o meu rosto. Caia a chuva e o seu som abafou os meus gemidos e o teu respirar ofegante. Caia a chuva, porém não apagou a chama da paixão, do tesão, da liberdade que ardeu tão somente naquela noite no meu peito. Mas a chuva parou, a grama secou, o sol nasceu. A minha mão tremeu, os meus lábios se fecharam, o meu coração temeu. Segui meu caminho, tu seguiste o teu. Ainda chove, de vez em quando, outros rostros hão de enxugar os teus cabelos.
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